Depois de anunciar o bloqueio de 30% no orçamento de Universidades e institutos federais do país, o Ministro da educação Abraham Weintraub, participou nesta quarta-feira, 15, da Comissão Geral, realizada pela Câmara Federal, onde prestou esclarecimentos sobre o assunto.
Ao relatar a realidade do ensino superior no Estado da Bahia, o deputado federal Uldurico Júnior (PROS-BA) fez um apelo ao ministro, para que as instituições federais não sejam fechadas. “Não estou aqui para fazer palanque nem para pisar no pescoço de ninguém para poder me promover. Eu venho de uma região, Ministro, que um dia teve o sonho de ter uma universidade federal, um instituto federal, para atender aos jovens que lá viajavam, antigamente, 700 ou 800 quilômetros de distância para poder ter condição de cursar um ensino superior público e de qualidade. Contudo, V.Exa., quando anuncia esses cortes, está anunciando o fechamento dessas instituições naquela região”, argumentou.
O parlamentar considerou a disputa ideológica vivenciada cotidianamente no Congresso Nacional “um pouco exagerada” e sugeriu ao gestor que deixe esta questão de lado para trabalhar em conjunto em prol da educação no Brasil. “Eu respeito muito a questão ideológica, acho-a legítima, faz parte do debate político, mas, às vezes, sequer a matéria que está na pauta é citada aqui. Assim, Ministro, peço a V.Exa. que coloque a disputa ideológica de lado, e vamos juntos pensar a educação do nosso País, porque a sua pasta é a mais importante para o futuro do Brasil”, completou.
Presente na Comissão Geral, o deputado federal Gastão Vieira (PROS-MA) também chamou a atenção para a questão ideológica. “Sr. Ministro, o que o senhor acaba de presenciar aqui no plenário desta Casa é um reflexo do que está acontecendo no Brasil, nas ruas: essa divisão que vem acontecendo por conta de discussões ideológicas. Basta acompanhar as redes sociais para perceber que, dentro do mundo acadêmico, nas instituições federais superiores, nas instituições técnicas, isso está acontecendo. E eu acho que é um papel de todos nós da classe política, do Poder Executivo, do Poder Legislativo começar a rever essa situação e dar a nossa parcela de contribuição. Ao Governo cabe governar, à oposição cabe fiscalizar e fazer as críticas que ela entende que sejam necessárias”, acrescentou Gastão.
Comissão Geral
Após cerca de seis horas de debates, o Ministro da Educação foi questionado por mais de 60 parlamentares recebendo críticas e elogios. O gestor negou que tenha havido cortes nas universidades e institutos federais e disse que o bloqueio dos recursos é fruto de contingenciamentos ordenados pelo Ministério da Economia.
Weintraub declarou ainda, que o dinheiro bloqueado poderá ser devolvido aos cofres públicos com a melhoria da situação fiscal do País. Segundo o Ministro, cerca de 3,5% do orçamento das universidades ficaram indisponíveis, e a medida atinge apenas os gastos não obrigatórios. (Com informações Agência Câmara)

