Em resposta a questionamento feito pelo deputado federal Dr. Jorge Silva (PROS/ES), a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Nilma Lino Gomes, afirmou que a perversidade do racismo é de tão ordem que pode influenciar as escolhas afetivas e sexuais do indivíduo. O parlamentar havia perguntado se existia algum estudo que abordasse a preferência de negros, após uma ascensão social, em casar com pessoas brancas. O debate ocorreu, nesta quinta-feira (21), durante audiência promovida pela CPI da Violência Contra Jovens Negros.
“A esfera da vida emocional também está sob a suspeição do racismo e essa é uma das formas dele se propagar. Há negros que não se identificam com o próprio grupo étnico-racial. Será que a parcela de brancos que casam com negros é significativa?” questionou a ministra.
Dr. Jorge Silva ressaltou ainda a necessidade de implementar mais políticas públicas voltadas ao combate do racismo. “Já temos o diagnóstico, sabemos o que fazer, mas não conseguimos que essas políticas cheguem onde ele precisa chegar”, comentou. Para o parlamentar, a CPI traz a oportunidade de exteriorizar e debater o tema de maneira mais clara e pensar em medidas que possam solucionar o problema.
Plano nacional
O presidente da CPI afirmou que um dos objetivos da comissão é apresentar um Plano Nacional de Enfrentamento a Homicídios e Violações de Direitos de Jovens Negros e Pobres, estabelecendo programas, ações e metas que possam ser acompanhadas de dez em dez anos e fiscalizadas pela sociedade civil.
Também defendeu a revisão do Plano Juventude Viva, do governo federal, para que tenha ações mais efetivas na prevenção para reduzir a vulnerabilidade dos jovens negros.


