Deputados e senadores eleitos em 2018 foram empossados na última sexta-feira,1º para dar inicio aos trabalhos das novas legislaturas em todo o País.
Na Câmara Federal, um fator que chamou a atenção foi o grande número de deputados de primeiro mandato. Conforme os dados divulgados pela Secretaria Geral da Mesa (SGM), o índice de renovação na última eleição foi de 47,37% sendo o maior desde a eleição da Assembleia Constituinte, em 1986.
Ainda conforme o levantamento, dos 444 candidatos à reeleição apenas 251 foram reeleitos, o que corresponde a 56,5%.
No Senado, os números são ainda maiores. Dos 54 senadores empossados, 46 não estavam na legislatura anterior. A renovação é considerada histórica tendo em vista o percentual de quase 85%.
Entretanto, é importante ressaltar, que a grande renovação não se restringe apenas ao cenário nacional, nas assembleias legislativas o índice de novatos também foi considerável se comparado as legislaturas anteriores.
Para o cientista político da Fundação da Ordem Social (FOS), Henrique Cardoso Oliveira, a explicação para essa mudança no cenário político seria o desgaste da classe política brasileira. “Ao longo dos últimos anos, intensificando a partir de meados de 2013 com as manifestações difundidas por todo o país, a sociedade brasileira tem exposto à classe política do país seu descontentamento e o sentimento de não representatividade. Paralelamente a isso, os atores políticos não apresentaram à sociedade mecanismos que buscassem restabelecer os laços de representatividade com a população”, explica.
Segundo o especialista, os escândalos de corrupção difundidos nas mais diversas camadas da administração pública contribuíram com o descontentamento da população que passou a enxergar a política como algo ligado a criminalidade. “A população foi às urnas com o sentimento de renovação, de extirpar o status quo vigente e, com isso, abriu-se espaço para que novas pessoas ingressem na política”, acrescentou.
No entanto, o cientista político alerta que a taxa de renovação não implica, necessariamente, no surgimento de novos quadros totalmente alheios ao quadro político de legislaturas anteriores. “No Senado, por exemplo, diversos senadores optaram por disputar outro cargo seja ao Governo do Estado, ou para a Câmara Federal. Além disso, observamos o surgimento da bancada dos parentes, a qual vem crescendo paulatinamente com o ingresso de familiares no Legislativo substituindo o “patriarca” que até então ocupava o mandato”, completou.

