Uma cidade mais acolhedora para a população e com mais qualidade de vida passa pelo controle da poluição e por mudanças que permitam que as ações cotidianas poluam menos. Em Fortaleza, um Plano de Ação de Desenvolvimento Urbano de Baixo Carbono está sendo elaborado e tem previsão de finalização em junho deste ano. As ideias são debatidas durante o Fórum de Mudanças Climáticas (Forclima), realizado pela Secretaria Municipal do Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), que teve a terceira reunião na manhã de ontem, no Parque do Cocó.
Na próxima reunião, prevista para o fim de abril, será colocada em discussão uma prévia do plano. Também será aberta uma consulta pública para contribuições da população. Após o recebimento de novas ideias, o documento será finalizado e enviado ao prefeito Roberto Cláudio (PROS/CE/Fortaleza) para virar decreto. No documento, estarão diretrizes a serem implantadas em áreas como transporte, energia, resíduos e construção civil, com o intuito de reduzir a emissão de carbono em Fortaleza.
Na reunião do Forclima de ontem foram debatidas ideias que possam ser viabilizadas para a Cidade em diversos setores. Danielle Hoppe, gerente de projetos do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), ressaltou que o objetivo do planejamento da Cidade precisa ser as pessoas. Interligar modais de transporte, tornar a Cidade mais convidativa para as caminhadas e dispor de prédios não separadas por grandes muros são alguns dos passos a serem dados. De forma integrada, todas essas ações contribuem para a redução da emissão de poluentes nas cidades, indicam os participantes do fórum.
Mobilidade – A qualificação e priorização do transporte público, com faixas exclusivas, mais conforto e menos tempo de espera, por exemplo, são imprescindíveis para a adesão da população às propostas. Assim como a disponibilização de infraestrutura adequada para os que optam por usar a bicicleta.
Outro ponto ressaltado é a necessidade de que a cidade seja planejada de forma a evitar que a população precise transpor grandes distâncias para encontrar serviços, comércio, trabalho, lazer. São transformações amplas no modelo de sociedade que hoje é centralizado no automóvel – que, ressaltou Danielle Hoppe, já se mostra inviável.
As decisões a serem tomadas e ações a serem executadas são, muitas vezes, impopulares e, por isso, enfrentam peso político grande para poderem virar realidade. Medidas como pedágios urbanos e diminuição das áreas de estacionamento nas ruas, por exemplo, foram apontados como possíveis formas de desestimular o uso excessivo do carro, mas enfrentariam a resistência dos usuários desse transporte.
Danielle Hoppe ressaltou que muitas das ações já estão previstas na Política Nacional de Mobilidade Urbana, sancionada em 2012. No entanto, boa parte dos municípios ainda não fez os próprios planos, dificultando a discussão e implantação das mudanças necessárias.
Fonte: O Povo


