Fernando Melo diz que não é mais possível a divisão entre os dois setores mais importantes da economia e que é necessário a junção de interesses para o aumento da produção sem mais pressão sobre a floresta
A experiência de trabalho como secretário-adjunto de agricultura e pecuária do Governo do Estado nos últimos anos, uma missão dada pelo governador Tião Viana, fez com que o economista e advogado Fernando Melo (PROS-AC), ex-deputado estadual e federal pelo Acre, abrisse os olhos para a necessidade de total pacificação entre os defensores do meio ambiente e os pecuaristas e produtores do agronegócio no Acre.
De acordo com Melo, que deverá voltar a disputar uma cadeira de deputado federal pelo Acre, agora pelo Pros (Partido Republicano da Ordem Social), que integra a coligação Frente Popular do Acre (FPA) e que apóia a candidatura do ex-prefeito Marcus Alexandre ao Governo em 2018, tanto os ambientalistas como os produtores do agronegócio bem-intencionados têm os mesmos interesses e não há mais motivos para haver beligerância entre os dois setores.
Como o segundo homem da Seap (o titular é o secretário José Carlos dos Reis), Fernando Melo recebeu a missão de Tião Viana para cuidar do setor leiteiro e da cadeia produtiva da mandioca. Melo deixou o cargo no último dia sete de abril por exigência da legislação eleitoral porque vai voltar a ser candidato nas próximas eleições. “Estou pronto para este novo desafio”, afirmou.
De acordo com Fernando Melo, falta muito pouco para que os dirigentes dos dois setores do ambientalismo e do agronegócio cheguem à conclusão de que têm objetivos comuns e que podem sentar juntos e cooperarem entre si. “Eu quero fazer essa ponte”, disse.
“Estou convencido de que é possível esses dois setores trabalharem em conjunto e chego a vislumbrar inclusive a possibilidade de o meio ambiente, que detém muitos recursos financeiros, inclusive em nível internacional, financiar o agronegócio”, acrescentou.
Melo citou como exemplo dessa parceria entre o meio ambiente e pecuaristas o programa conhecido como “Balde Cheio”, concebido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), na região sudeste do estado de Goiás, e que está sendo aplicado em algumas propriedades do Acre pela Secretaria de Agricultura e Pecuária (Seap).
O programa oferece oportunidade de ganhos com redução de custos/despesas. Um exemplo é o caso de um pequeno pecuarista do município de Caçu, na região sudoeste de Goiás. O pequeno produtor viu a produção leiteira de sua propriedade de 46 hectares mais que dobrar de um ano para o outro.
Antes, 13 vacas produziam 60 litros ao dia e, agora, 50 animais disponíveis fornecem mais de 300 litros diários, um aumento de 250%, sem a necessidade de ampliar a área produtiva nem de novas derrubadas para aumento de pasto.
O resultado veio após adesão ao programa “Goiás Mais Leite – Metodologia Balde Cheio”, um programa em aplicação no Acre pela Seap em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa), que consiste na melhoria do solo e do capim que vai servir de alimento às vacas leiteiras.
Isso permite que o criador aumente o número de animais (que leva a sigla UA, Unidade Animal Adulta) no mesmo espaço, que anteriormente era de uma hectare para uma UA. Com a melhoria na pastagem, na mesma hectare, o número de animal pode ser dobrado e a ideia é que possa chegar até a cinco animais, sem ser preciso fazer novos desmates.
No Acre, o programa é inclusive financiado com recursos do banco alemão KfW, que há 50 anos apóia o governo federal da Alemanha a alcançar seus objetivos na política de desenvolvimento do país e também na cooperação internacional.
O banco, aliás, se apresenta como uma instituição experiente e, ao mesmo tempo, especializada em políticas de desenvolvimento com preservação do meio ambiente, inclusive fora da Alemanha. O banco atua na África, Ásia, sudeste europeu e na América Latina e há 20 anos, no Brasil, é o principal parceiro do governo do Acre em financiamento de projetos ambientais.
Graças à parceria, em 2013, por exemplo, o modelo acreano de desenvolvimento econômico contemplando proteção florestal e combate à pobreza foi premiado pelo governo alemão. O Acre foi laureado pelo governo alemão com um recurso de 16 milhões de euros (43 milhões de reais) para ajudar a financiar projetos ambientais e como prêmio ao que foi feito nos últimos anos contra o desmatamento no Acre. É com parte deste dinheiro que o governo do Acre está financiando o programa “Balde Cheio”, lembra Fernando Melo.
“Não tenho dúvidas de que esse programa do leite, financiado com recursos provenientes de ambientalistas, pode ser aplicado na pecuária e na agricultura e eu quero ser o interlocutor para que esses dois setores importantes da nossa economia, os defensores do meio ambiente e produtores conscientes do agronegócio, possam vir a sentar e trabalhar juntos”, disse. “Imagino que o meio ambiente possa vir a financiar até pecuária de corte”, disse.
Confira na íntegra os principais trechos da entrevista: https://bit.ly/2HCzisP
Fonte: Portal pagina20.net

