As péssimas condições de trabalho dos garis contratados pela empresa Locar foram alvo de denúncias na Tribuna Livre da Câmara Municipal de Cuiabá(MT) na última semana. A empresa responsável pela coleta de lixo ,por meio de contrato com a Prefeitura, estaria submetendo aos trabalhadores à jornadas excessivas sem pagamento de horas extras, falta de equipamentos de segurança, contaminação por chorume e trabalho em caminhões velhos.
A convite do vereador Dilemário Alencar (PROS-MT), os garis Wenderson Alves e Luis Bandeira relataram a situação. “Tem equipe trabalhando 14 horas por dia sem o pagamento de horas extras. Além da precariedade para realizarmos o trabalho, ainda tem assédio moral por parte da empresa, com ameaça de demissão do gari que não se submeter à extenuante jornada de trabalho. O pátio da empresa Locar está totalmente insalubre, pois não é cimentado e, com as chuvas, fica cheio de lama misturada com chorume, causando doenças em vários garis. Nós temos os laudos que comprovam isso e alguma coisa precisa ser feita”, relatou Wenderson Alves, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Limpeza Urbana (Sindilurbe).
Já Luis Bandeira comparou as condições enfrentadas pela categoria como análogas ao trabalho escravo. O trabalhador afirmou que a Locar já teria sido denunciada junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e relembrou que a mesma teria assinado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) se comprometendo a regularizar os problemas existentes, no entanto, segundo o gari, nada mudou. “Essa empresa já tem histórico de maltratar os trabalhadores, principalmente no Nordeste, onde fica a sua sede. Agora vem para Cuiabá maltratar também nossos irmãos garis que estão sofrendo no trabalho da coleta de lixo. Eu sou gari há 12 anos e nunca passei por uma situação dessa antes. Eu amo meu trabalho, mas o que essa empresa está fazendo conosco é um absurdo, é trabalho escravo, pois é desumano. Não temos as mínimas condições de trabalho e ainda somos obrigados a trabalhar em caminhões velhos que estão colocando em risco as nossas vidas”, acrescentou Luis.
O vereador Dilemário informou que vai denunciar essa situação à Delegacia Regional do Trabalho e ao secretário de Serviços Urbanos, José Roberto Stopa. Para o parlamentar, a empresa precisa ser fiscalizada para parar com esses abusos com os garis e melhorar a coleta de lixo em Cuiabá, visto que recentemente a prefeitura renovou o contrato de coleta de lixo com a Locar, passando de R$ 20 milhões para R$ 39 milhões. “É desumano mesmo o que vem ocorrendo com os garis, que prestam um serviço essencial à nossa cidade. Essa empresa também não começou a cumprir o contrato milionário assinado com a prefeitura, que prevê até o final de abril a colocação de novos caminhões, coleta fluvial do rio Cuiabá e a instalação de dezenas de contêineres. O contrato é de quase R$ 40 milhões ao ano, mas o que vemos até agora é desrespeito com os garis e a piora na coleta de lixo em nossa cidade”, reforçou o vereador.

