Durante audiência pública realizada pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, nesta terça-feira,25, a senadora Zenaide Maia(PROS-RN) cobrou do Governo Federal a elaboração de um plano que gere emprego e renda no país. O evento reuniu especialistas para debater a dívida pública e seus desdobramentos na economia brasileira.
A parlamentar sugeriu que o poder executivo a gestão de um plano de desenvolvimento econômico ao invés de iniciativas que reforçam o caixa de apenas grandes empresas bancárias. “Aqui, não estamos defendendo o partido A ou B; estamos defendendo o país”, afirmou.
Na oportunidade, a senadora cobrou uma nova postura em relação à política monetária do Banco Central, que, em sua opinião, remunera excessivamente a sobra de caixa dos bancos, fazendo com que se torne “desinteressante” para as instituições financeiras investir na economia.
Zenaide lembrou ainda, que o pagamento da dívida (juros e amortizações) elimina a capacidade de o país investir nas áreas de educação, saúde, segurança pública e infraestrutura. “Em 2017, quase 50% do orçamento do país foi para pagar juros aos bancos, em detrimento do desenvolvimento do país. Isso é inadmissível”, afirmou a senadora ao relembrar que neste mesmo ano, entrou em vigor a PEC dos gastos, que congelou, por 20 anos, os investimentos nas áreas sociais.
A parlamentar citou a Proposta de Emenda à Constituição de sua autoria, que garante mais recursos para a segurança pública. “Pela primeira vez na minha vida, eu vejo a população pedir mais recursos para segurança pública do que para saúde e o governo destina hoje apenas 0,5% do orçamento para esta área”, destacou Zenaide ao comentar sobre a PEC 44/2019, que determina a aplicação, de forma progressiva, de um mínimo de recursos do Orçamento para serem investidos no Sistema Único de Segurança Pública, chegando, em quatro anos, em 2,5% da receita corrente líquida da União.
A senadora questionou ainda, o motivo do país não seguir o exemplo dos países desenvolvidos, como o Japão, por exemplo, que se endivida para investir em infraestrutura. “Se pararmos de remunerar os caixas dos bancos, eles terão que investir na indústria, na agricultura familiar, na construção civil, que emprega desde o trabalhador mais simples até o engenheiro civil…”, enfatizou.
O fato da redução da taxa Selic não chegar à população também foi questionada. “Eu, como dona de casa, não consigo sentir a queda da inflação nas minhas compras de mercado, na minha feira semana. O que vemos é que a inflação baixa por causa da recessão: sem emprego, a população não compra, o comércio quebra e a indústria não investe”, ponderou.

